Entrevista - Ana Rapha Nunes

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Entrevista com a autora Ana Rapha feita por:
 Laynne Cris  –  Meu Espaço Literário e  Juliana Lima – Fabulônica



Ana Rapha Nunes

Laynne Cris: Li uma entrevista com você no site “Divulga Escritor” que além de professora de Ensino Fundamental 2, também é professora universitária, coordenadora, criadora de materiais pedagógico, trabalha com projetos literários, e capacitação de profissionais, entre outros. Qual é a sua orientação para conseguir lidar com diversas atividades, manter a qualidade e ainda escrever?


Ana Rapha: Já fui coordenadora durante cinco anos, mas as outras atividades ainda as desenvolvo. Venho acostumada a uma vida profissional intensa nos últimos anos, acho que já virou rotina. Quando decidi que iria mesmo finalizar um livro para publicá-lo, tive que me concentrar no meu foco principal. Assim, busco me dividir entre as diversas tarefas que desempenho, mas sempre buscando a qualidade. Há o momento certo pra tudo: nesse final de semana vou só corrigir provas, no dia x vou me dedicar a isso, no dia y àquilo e assim vai. Algo que busco todos os dias é escrever, nem que seja um pouquinho.

Laynne Cris: – Como educadora e atuante na Educação, qual sua percepção em relação à formação de professores no Brasil? O que acha que precisa melhorar?

Ana Rapha: Há muito a se fazer pelos professores no Brasil. É preciso que eles tenham mais tempo para estudar. A formação do professor precisa ser contínua, não basta fazer a graduação, um curso de pós e pronto, é preciso estudar sempre, rotineiramente. Mas infelizmente não é isso o que ocorre, o professor está sobrecarregado e não consegue se aprimorar. Hoje, na escola particular, por exemplo, não há hora-atividade, assim o professor faz todo o serviço de correção, preparo de aulas e a burocracia em casa, o que despende muito tempo. Assim, eu pergunto: que horas o docente vai procurar se aprimorar? Não tem como. Mal sobra tempo para o descanso e o lazer.

É preciso investir mais no professor, para que ele tenha tempo de estudar e de ler, algo que é pouco frequente no Brasil. Se perguntarmos hoje qual a média de leitura de um professor, ficaremos assustados, mas a culpa não é deles, e sim do sistema, no qual ele acaba tendo que trabalhar muitas horas para conseguir um salário capaz de sustentar sua família. É algo grave, que precisa de ajustes imediatos.

Laynne Cris: Sendo uma professora de Língua Portuguesa qual a dica que deixaria para educadores/pais para incentivar a leitura e a produção de textos?

Ana Rapha: A leitura é fundamental e acredito que só um trabalho integrado entre família e escola permite o maior desenvolvimento de leitores. O exemplo é fundamental, não adianta a criança ver o adulto falando, mas não fazendo o que fala. É preciso que pais e professores leiam mais.

Na família, é muito bom ler histórias para os filhos antes da alfabetização e seguir com o hábito de leituras em rodas de conversa, saraus etc. Possuir uma pequena biblioteca em casa também estimula. Outra sugestão é fazer cadernos de recordações, diários, práticas antigas que têm se perdido e que valorizam a prática da leitura/escrita. Na escola, projetos de leitura que incentivem o hábito de ler, buscando-se o lúdico, o qual fascina as crianças. O mais importante é que a leitura em ambos os espaços ocorra de forma rotineira, seja um hábito, só assim a criança também irá desenvolver esse hábito.

Laynne Cris: Em seu livro “A Lua que te dei” trata-se a temática sobre a verdadeira amizade. Quando desenvolveu a história tinha nela o intuito de pregar a valorização de uma construção de uma amizade verdadeira? Como alguém que trabalha e lida diretamente com pessoas, qual a sua percepção sobre a formação da amizade nos dias atuais?

♥ Ana Rapha: Vejo que a amizade é um dos grandes “problemas” da infância e adolescência. Eu mesma já sofri muito por amizades. Há aquela história de “se você não fizer isso, não é meu amigo” ou de uma hora para a outra o seu melhor amigo torna-se seu inimigo mortal. E para a criança e o adolescente ter um grupo é muito importante para a construção da sua identidade. Por isso, quis resgatar a importância de se valorizar uma amizade verdadeira, de não se deixar influenciar por falsas amizades, que muitas vezes só nos prejudicam. Acho esse um ponto importante na formação das crianças.

Juliana Lima: Ana versus Ana. O que de você existe em seus personagens e o que de seus personagens existe em você?

♥  Ana Rapha: Acho que há sempre uma mistura muito grande, difícil definir pontualmente. É claro que há muito de mim nos meus personagens, crio eles dentro das minhas perspectivas, da minha bagagem de mundo, mas depois eles acabam ganhando vida própria e trazem ensinamentos para a autora. Às vezes, começo a escrever com uma determinada ideia e depois acabo mudando algum direcionamento, o personagem parece ganhar voz.

Juliana Lima: Se você pudesse escolher algo intangível, como a Lua, para alcançar o que seria?

Ana Rapha: Acho que as melhores coisas da vida são alcançáveis, a conquista de sonhos, o convívio com a beleza da natureza, a vida rodeada das pessoas que amamos, tudo isso é possível. É claro que há aqueles sonhos infantis, como encontrar o final do arco-íris (risos). Mas o importante, assim como na história, é que ter a Lua, o Sol ou encontrar o final do arco-íris, nada mais é do que atingir os nossos sonhos e encontrarmos alegrias nas coisas simples da vida.

Juliana Lima: Em “A Lua que eu te dei” Bebel e Luan são amigos desde sempre. Na sua opinião, os amores mais inesquecíveis são os da infância?

Ana Rapha: Não, acho que eles são fundamentais para a nossa formação como pessoas, eles nos ajudam na nossa construção, na nossa identidade. Mas acho que todo amor verdadeiro é inesquecível, não importa a idade que se tem, aliás, acho que o amor nos deixa sempre mais crianças, nos remete à infância.


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Espero que tenham gostado,
Super Beijo,
Juliana Lima.
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