Entrevista- Marcio Muniz

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É com imenso prazer que a Fabulonica apresenta seu mais novo parceiro:

O poeta Marcio Muniz.

Pessoal!  Vale a pena conferir a entrevista do Márcio.
Como nasceu o amor pela literatura? …
Como sua poesia foi para o Museu da Língua Portuguesa?…
Adorei a entrevista e a humildade deste grande poeta.

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Marcio Muniz



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Entrevista:

♥ F: Como nasceu o seu amor pela literatura?

MM: A paixão por ler começou na infância com as histórias em quadrinhos, tipo super-heróis e turma da Mônica. Depois vieram os famosos livros paradidáticos no colégio e o que para muitos alunos era um martírio, para mim era um imenso prazer. Ainda na sexta série conheci a poesia e me apaixonei  por ela, isso aos 12 anos de idade. Na passagem da adolescência para vida adulta, li os clássicos da nossa literatura e também me apaixonei deveras. Até hoje, Dom Casmurro é meu livro preferido. Naquele momento decidi que precisava conhecer mais e mais sobre a literatura nacional e tomei a decisão de que só leria autores estrangeiros depois que conhecesse nossos grandes nomes e suas principais obras.

Hoje tento ler de tudo um pouco, não tenho preconceitos literários, leio em média entre 20 e 30 livros por ano. Claro que tenho preferências, mas sou daqueles que pensam que qualquer tipo de livro que conquiste um leitor vale a pena, mesmo se a qualidade for duvidosa, aos poucos aquele novo leitor vai ele mesmo saber disso. Além disso, as vezes a leitura não é só angariar cultura, ela serve também como simples meio de entretenimento.

Quanto ao ato de escrever, serei breve. Essa é mais do que uma paixão, essa é para mim, uma necessidade.


♥ F: Você teve uma poesia exposta no Museu da Língua Portuguesa, como foi esse projeto?

MM: Conheci este ano um poeta que também foi um dos idealizadores e curadores desta exposição chamada "Poesia agora". Seu nome é Lucas Viriato e nos conhecemos através de uma amiga em comum, a poetisa Andreia Martins, que nos apresentou através de uma rede social. Daí surgiu o convite para participar de uma das alas da exposição intitulada "Desafio poético". Vários poetas recebiam a missão de criar um poema sem uma determinada letra do alfabeto e a mim coube criar um texto curto em que não poderia haver a letra "i". Felizmente meu poema foi um dos selecionados para a mostra que encerrou agora no fim de setembro, junto com outros 499 poetas espalhados Brasil a fora que puderam ter ser versos estampados de alguma forma neste seleto hall. Para mim foi uma grande honra, algo que jamais esquecerei.

F:  MUSEU DA LINGUA PORTUGUESA Clique Aqui 

EXPOSIÇÃO DOS POETAS NO MUSEU ⇓


♥ F: Quantos livros seus já foram publicados?

MM:  Tenho publicados três livros. "Vida e verso em prosa" foi meu primeiro como já citei, um livro de poesias cujo custo foi todo bancado por mim, pouco a pouco. Hoje tenho ainda uns poucos exemplares disponíveis comigo para venda, mas parece que em breve terei novidades, pois estou negociando com uma editora o seu re-lançamento através do selo da mesma. Depois de participar de algumas antologias e ao longo do processo de produção do primeiro livro, enviei alguns originais para algumas editoras e tive a felicidade de ter um deles aprovado de cara. Daí surgiu " Encontros com o amor", um livro com 19 contos, cuja temática principal é o encantamento do primeiro encontro, o primeiro olhar. Contos românticos em sua maioria, mas alguns com uma conotação um pouco mais hot. Esses dois livros foram lançados em 2014. Depois veio o recém lançado "Amor, somente amor".

Outro original selecionado por uma editora, a Drago Editorial. Uma editora nova mas que está entrando forte no mercado e está dando grande apoio aos autores nacionais. Este livro vai muito além de uma história de amor, como menciona o título. O livro trata das dificuldades de um jovem "favelado" nascido em uma comunidade do RJ. O livro trata de preconceito social e racial, uma vez que o personagem principal é negro e pobre. O livro trata sobre a desunião de famílias e do flagelo das drogas. É um livro recém lançado, porém que foi escrito por mim há mais de 10 anos.


♥ F: Qual a sensação de ter seu primeiro livro nas mãos?

MM: Quase igual a sensação do nascimento de um filho. A realização de um sonho. Na verdade o primeiro baque para mim, foi quando recebi o e-mail da editora dizendo que meu original tinha sido selecionado para publicação, foi uma sensação ímpar. Quase me senti um “escritor de verdade”. Olha, sinceramente é difícil descrever, folhear as páginas depois de pronto ou mesmo a cada nova prova. Na verdade minha primeira aparição em um livro foi com uma poesia chamada “O amor de Maria e João”, que havia sido selecionada para a antologia “Café com poesia” da editora Casa Cultura. Esta não era nem minha poesia preferida, depois disso virou meu xodó. São rimas simples que narram uma espécie de história de amor.

No começo fiquei tímido com relação a ela, até que uma educadora me contou que utilizava esta poesia com as crianças menores para poder ilustrar para elas “o amor” e que depois de ler a poesia para eles, os pequenos conseguiam assimilar o sentimento de uma maneira bem bacana. Abaixo a poesia na íntegra:




♥ F:  De onde surgiu a motivação para ser escritor e qual poeta é sua maior influência? 

MM: Escrever é um chamamento. A gente não escolhe, é escolhido. Sinto simplesmente necessidade em escrever, de por meus sentimentos para fora.  Sempre tive necessidade de dar opinião sobre as coisas, de mostrar ao mundo a forma como o enxergo.  Ao mesmo tempo, minha timidez me impedia de ir além dos meus amigos. Tenho um ditado que diz: “Quem quer ser espelho acaba se tornando vidraça”. Este é um assunto complicado, afinal escrever é dar-se a conhecer, se mostrar mas ao mesmo tempo não pode ter medo das críticas.  Quanto aos poetas preferidos, curto muito Drummond, Fernando Pessoa, Manuel Bandeira, Cecília Meireles e Vinicius de Moraes. Além disso, tem uma galera mais atual que curto muito, tipo: Arnaldo Antunes, Gabriel o pensador. Indico para qualquer um também, a poesia dos meus amigos Bruno Black e Andreia Martins, são ótimos e seus versos nos contagiam demais.

♥ F: É estranho pensar que apesar de olharmos um poema pronto e estruturado, cada estrofe e verso é na verdade uma simples, mas não qualquer, junção de palavras. A partir deste pensamento, qual palavra é mais inspiradora para você?

MM: Nada me inspira mais do que o amor. Adoro versar sobre este sentimento. Claro que muitos são os sentimentos que nos impelem a escrever, mas de fato o amor é minha palavra mais inspiradora, digamos assim. Ele é o sentimento que move o mundo, na minha humilde opinião. Uma coisa interessante é que as pessoas tem aquela coisa de pensar que tudo o que escrevemos quanto poesia, é porque estamos sentindo, porque pensamos ou vivenciamos. Nem todo verso é auto-biográfico, ainda que emprestemos demais da gente para ele para podermos dizer que estamos totalmente a parte daquele sentimento que inspirou o verso ou a poesia.

♥ F: Como, de fato, o poeta Marcio surgiu no universo literário?


MM: Acho que o poeta Marcio Muniz já nasceu comigo. Sempre fui muito sensível, gostei de escrever sobre minhas impressões e sentimentos. Na minha formatura de primeiro grau, escrevi um texto de despedida da turma que lido por nossa professora de português fez vários alunos irem às lágrimas, inclusive eu. Eu sempre escrevi e confesso que já tinha me entregado a vala das pessoas comuns. Não tinha mais pretensões de ser publicado ou me fazer publicar e ainda assim, continuei escrevendo ao longo dos anos, guardando tudo. Como eu mesmo gosto de dizer: “Através do tempo, amontoando palavras, dissecando sentimentos.” Para você ter uma ideia, mesmo sem essa pretensão, eu escrevia crônicas para mim mesmo e tenho comigo guardados, além dos livros que já publiquei, três romances inéditos, dois não concluídos e mais de 500 textos entre poesias e crônicas.

♥ F:  Seu gênero é apenas a poesia ou podemos esperar textos diversos desta mente criativa? 


MM: Poesia é sim minha paixão, mas gosto de escrever contos também. Meu tema preferido é o amor, mas chega uma hora em que você precisa se desafiar para saber até onde vai sua capacidade criativa. Comecei a me aventurar em antologias de gêneros diferentes. Confesso que tenho mais dificuldades com alguns como terror e romance policial. Mas já participei de antologias de contos com dramas ( Contos de um natal sem luz), contos eróticos (Clímax- faça-me chegar lá), contos sobrenatural/sensual ( Sombras e desejos).  Nessa questão do desafio, um belo dia aos 20 anos de idade pensei: “Será que consigo escrever um romance curto?”. Então fui a uma papelaria, comprei um caderno de cem páginas e comecei a escrever, daí surgiu o primeiro romance de fato (ainda inédito). Portanto, tudo pode acontecer em termos de escrita no futuro.

♥ F: Como você se imagina, profissionalmente falando, daqui a alguns anos? 


MM: Não costumo pensar nisso. Escrever para mim é por enquanto uma grande curtição, a realização de um sonho. Ainda fico feliz quando uma pessoa me manda uma mensagem dizendo que leu meu livro ou quando consigo vender um ou outro livro numa feira literária por exemplo. Sinceramente não tenho planos nesse quesito, o que Deus me der ficarei satisfeito.

Todavia, uma coisa que despertou em mim foi a vontade  de ser um agente fomentador da cultura e da literatura. Pensando nisso, me uni aos poetas Bruno Black e Andreia Martins e formamos um grupo chamado “Poetas sem nome”. Nosso objetivo é disseminar a poesia e atingir o maior número possível de leitores., organizando saraus poéticos, fazendo vistas em escolas e apoiando outros jovens valores que cruzam nosso caminho. Acreditamos que a poesia torna o indivíduo mais crítico e lhe provoca reflexão. Creio que precisamos levar mesmo a poesia às crianças, às praças e espalhar aos quatro ventos nossos versos, com isso quebramos esse paradigma que confunde arte e cultura com o erudito. Cultura e arte podem sim ser o popular, desde que representem um modo de pensar e agir e que sirvam como instrumento de mudança e enriquecimento do indivíduo como pessoa e ser pensante e atuante na sociedade em que vive.

♥ F: Você tem alguma dica, em especial, para quem está começando ou pretende entrar neste universo?  

MM: Não tenha medo de se expor, de mostrar ao mundo seu talento. Tenha cuidado antes por causa da questão do plágio, por isso, procure registrar seus textos. É simples e barato, basta passar pela página da biblioteca nacional e seguir o passo a passo que eles mostram lá. Depois disso, uma boa forma de se mostrar é participar de antologias, assim você pode ter uma parâmetro da qualidade do seus textos e além disso, você será lido e poderá ser descoberto. Não fique ansioso para participar de qualquer antologia a todo custo. Pesquise antes sobre a editora e os organizadores das mesmas. Outro mito é desmerece-las por serem pagas (a maioria delas). Lembre-se de que vocÊ está começando e por mais talento que tenha, precisa que este talento seja descoberto. Tem muita gente talentosa por aí, tão bons ou melhores que nós, que batalham mais do que nós. Em função disso, é preciso ter um começo de carreira e esta é sim uma boa forma de iniciar sua trajetória literária. Outra coisa é meio óbvia, leia bastante, você acaba por adquirir um pouquinho do estilo de todos os que você lê.

♥ F:  Muito obrigada Marcio por aceitar o convite da Fabulonica para uma entrevista. Poderia deixar uma mensagem para os seguidores do blog e do seu trabalho? 


MM: Sou eu quem agradeço pela oportunidade de participar de um cantinho tão gostoso e convidativo quanto o Fabulonica. Queria parabeniza-la pelo belo trabalho, são atitudes como a sua que nos ajudam a fomentar a literatura, em especial e literatura nacional.
Tem muita gente talentosa que não fica devendo em nada aos livros internacionais que lemos por aí. Além dos já citados aqui por mim, gostaria de citar nomes com o Francine Locks, Keila Gon, Joyce Xavier, Fabio Shiva, Leandro Ervilha e Juliana Daglio. Todos se tornaram amigos através de uma rede social e seus livros me encantaram demais. Se posso deixar uma mensagem aos leitores do blog e aqueles que me seguem seria: Procurem ler também literatura nacional, os escritores expoentes e os clássicos. Nem tudo que é nacional é bom  e vice-versa, mas muitos ainda tem hoje em dia, certo preconceito quanto a ler livros nacionais e isso me deixa um pouco triste. Quanto a vida, sonhem muito, mas não deixem de batalhar pela realização dos seus sonhos.

♥ F: Eu é que agradeço... e o presente também. Amei meu livro autografado:)




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Contatos do Márcio:

Site
Fan page
Página do primeiro livro
Entrevista para o canal de TV NGT
Participação no projeto toda poesia



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Espero que tenham gostado,
Super Beijo,
Juliana Lima.

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