Licença Poética: Licenciar a poesia ou poetizar a licença?

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“A poesia é tudo que não cabe no poeta. Ah, se todos os erros fossem Licenças Poéticas.”
Eu me chamo Antônio – Pedro Gabriel, 2014."

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Olá Pessoal!
Boaaaaa Tarde!

       Resolvi escrever sobre um assunto que muito me agrada, Licença Poética. Há um tempo, me perguntava como tantos poetas consagrados poderiam errar brincar com as palavras de tal forma que as mesmas passariam a não obedecer à língua padrão. Então, me deparei, ainda na faculdade, com o tema. Não sei se já ouviram falar da licença mais liberal da história, mas de qualquer forma gostaria de compartilhar com vocês este tema. Se já ouviram deixem seus comentários, se nunca ouviram também rsrsrsrsrs.
     Vamos a ela!

Licença Poética:
Licenciar a poesia ou poetizar a licença?

     Escrever é um hábito muito importante para a mente. Um escritor desenvolve uma linguagem mais ampla, expande sua visão de mundo, torna-se apurado no sentido crítico, entre outras vantagens. Mas, tem um momento embaraçoso na vida de todo escritor: as regras. Como expor minhas ideias mais intimas se devo obedecer a regras e modelos convencionais da escrita. Te amar… Te amar e te amar eternamente cabe no meu dicionário, mas não na gramática. Amar-te é o que eu mais faço, mas não rima. E agora, tem solução?
     Sim. Licença Poética.
     A Licença Poética  é o termo adotado para representar a  liberdade concedida àqueles que expressam sua criatividade sem obedecer a uma regra gramatical, ou seja, como o próprio nome diz um consentimento, uma autorização. É possível encontrar os mais diversos desvios à norma poética nas propagandas, nos poemas, na música, onde houver criatividade fora da caixa dos preceitos. Dentre esses desvios, estão as palavras “erradas”, as rimas falsas, os versos com metrificação irregular, o vocabulário informal, etc. Como nos exemplos a seguir:
Um antigo anúncio da ABRAD – Associação Brasileira de Alcoolismo e Drogas é muito interessante. O possível “erro” está claro em seu slogan, porém ao analisarmos melhor, entenderemos a genialidade da propaganda.

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OCelebro do anuncio não está mostrando apenas um erro comum na grafia, está representando o estrago que a droga lícita faz com seu cérebro.
Na música, existem muitos exemplos de licença poética:
Inútil – Ultraje a rigor.

A gente não sabemos escolher presidente.
A gente não sabemos tomar conta da gente.
A gente não sabemos nem escovar os dente.
Tem gringo pensando que nóis é indigente .
Inútil! A gente somos inútil Inútil!

O compositor brinca o tempo todo com a colocação verbal, misturando a locução pronominal “a gente com o com o uso dos verbos e suas devidas colocações.

A gente não sabemos escolher presidente⇓
Nós não sabemos escolher presidente ou a gente não sabe escolher presidente.
Tem gringo pensando que nois é indigente⇓
Tem gringo pensando que somos indigentes ou tem gringo pensando que a gente é indigente.
A gente somos inútil
Nós somos inúteis ou a gente é inútil.


Beija eu – Arnaldo Antunes)
(Intérprete Marisa Monte)

Beija eu! (Beija-me)
Beija eu!
Beija eu, me beija
Deixa
O que seja ser
Belo exemplo de licença poética é essa música interpretada por Marisa Monte, uma das minhas cantoras brasileiras favorita, com intenção de transformar o que seria muito formal, muito correto em um vocabulário mais cotidiano, uma forma de dar musicalidade.

Em um antigo anúncio de um espetáculo de música clássica havia o seguinte slogan:

“O Brasil tem concerto”

O slogan brinca com as palavras parônimas (som semelhante) conserto com “s” e concerto com “c”, pressupondo que o leitor entenda. O Brasil é um país que ainda tem conserto, este pode ser feito através da  cultura. Logo, o Brasil tem concerto.
Dessa forma, conseguimos identificar o uso da licença poética para levar o leitor aos dois sentidos.

Existem muitos outros exemplos de licença poética presentes em propagandas, poesias, artigos, contos, crônicas, músicas. O importante é lembrar que o uso desse aparente “erro” é para levar o leitor há um sentido maior e não pelo simples fato de errar.

Deixo vocês agora em boa companhia.
Clique ⇒ Beija Eu – Marisa Monte
Espero que tenham gostado. Eu fico aqui com a música.

Abraços,
Juliana Lima.
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6 comentários:

  1. Muito legal, Juliana!

    De qualquer forma, temos que conhecer as regras para as quebrarmos conscientemente.
    Não podemos deixar que a licença poética se torne uma desculpa para não estudar :)

    Peço sua licença para divulgar a campanha para lançamento do meu livro:
    https://lucaspalhao.wordpress.com/2016/08/31/campanha-no-kickante-para-lancamento-do-livro-como-escrever-uma-dissertacao/

    Agradeço se puder me ajudar a divulgar.

    Abraço,
    Lucas Palhão

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    1. Sim rs, o post não retrata a falta de estudo, pelo contrário, muito não sabem da existência da Licença Poética que faz parte do estudo e acreditam que muitas músicas e poesias estão erradas quando na verdade estão fazendo uso dessa arte. ;)
      Quanto ao uso correto dela, vai da consciência de cada um.

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  2. Excelente post!! Super esclarecedor!! Muito interessante diferenciar para aqueles que não tem conhecimento!!
    Obrigada por sempre partilhar de assuntos pertinentes!!

    Bjs!

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    1. Obrigada Daya!
      Que bom que gostou :)
      Mil Beijos

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