Literatura versus não Literatura : Qual a sua opinião?

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   Sempre escutei esta expressão “isso é literatura, já isso não é considerado literatura” e, desde a faculdade, me questiono se está claro para as pessoas tanto quanto não estava para mim a diferença entre Literatura e “não literatura”. Então, ao ler artigos e entrevistas de alguns críticos, a fim de compreender o ponto de vista deles sobre a questão, escrevi este texto para expor, humildemente, o meu.

   A grande maioria, apontou que a ficção contemporânea tem passado por um processo de perda de foco onde, por exemplo, não se produz mais obras de caráter histórico, político, social ou psicológico e sim apenas estruturas narrativas romanceadas que utilizam de um estilo mais “fabuloso” havendo, dessa forma, uma dissociação do que se produz com o verdadeiro significado do termo.

   Antes de criticar a crítica e expor minha conclusão, vamos ao significado etimológico de literatura:

"Segundo o dicionário, Literatura é a arte de escrever obras em prosa (sf. forma natural de escrever que não obedece medida certa ou acentuação determinada) ou verso (sm. cada linha de estrofe ou poema. Poesia, versificação). O conjunto das produções literárias de um escritor, de um país ou de uma época. O conjunto de homens distintos nas letras. Conjunto de obras escritas a cerca de determinado assunto. Arte de fazer composições literárias."

   Só pela descrição acima já poderíamos garantir que a literatura fabulosa (fantástica) é um conjunto de obras que são escritas a cerca de um determinado assunto:  a imaginação e a criatividade, dessa forma, são sim literatura, mas aprofundarei mais a análise para ter fundamento.

   Para entendermos esse processo de classificação da literatura e seus movimentos literário é preciso primeiro compreender as mudanças mais simples e não menos importantes que acontecem no meio social (grande gerador da mudança) e principalmente na  língua.

   Exatamente! A linguagem é o método mais eficaz de passar uma mensagem. Utilizamos a linguagem (verbal ou não verbal) para praticamente tudo no nosso dia a dia, ela está presente nos diálogos, no texto da internet, na propaganda da televisão, na placa do trânsito, nos anúncios das lojas, nos outdoors, no uniforme das empresas, no símbolo de uma marca evidente.
Sim! Um símbolo também é uma linguagem.  Texto é tudo aquilo que consiga transmitir sua mensagem.

   Como no exemplo abaixo:
simbolo
   O conjunto  acima prova que se uma única imagem conseguir remeter o receptor a intenção desejada, houve o diálogo, dessa forma, houve a linguagem. A maioria entenderá que tal estabelecimento possui Wi-fi ao observar a primeira imagem, que é preciso fazer silêncio em um ambiente hospitalar no caso da quinta e que é proibido fumar no determinado local no caso da quarta imagem, sem o uso  de um “texto” em si.

   A língua escrita e a língua falada estão em níveis de evolução muito distintos. O que se produz hoje dentro do padrão da língua escrita demora anos para que seja avaliado, revisto, questionado, e então, modificado em uma reforma ortográfica.  Até que os acentos entrem em desuso, novas palavras sejam incorporados ao dicionário, palavras de grafias similares sejam extintas, a língua falada já avançou a passos largos. Novas gírias, abreviações, neologismos, dialetos são incorporados a todo instante na fala e, com o avanço da tecnologia, o texto que se posta hoje tem a vantagem/desvantagem de ser visto, curtido, compartilhado, comentado  instantaneamente no mundo todo. Enfim, uma disputa desigual e ao mesmo tempo uma possibilidade de liberdade de expressão, literalmente.

   Mas, o que a literatura tem a ver com isso?

   Tudo.

  Nesse contexto, encaixo a literatura, o que é produzido hoje carrega marcas e características próprias do autor, de seu conhecimento de mundo e principalmente da linguagem utilizada na época em que vive.  Não há como comparar a literatura do século XXI,  com as produções dos séculos anteriores e seus grandes mestres, principalmente no quesito linguagem.

Machado de Assis, por exemplo, criou grandes obras que aclamaram a literatura brasileira e serão lidas e estudadas por muitos anos, por serem consideradas atemporais. Qualquer um que leia a obra deste gênio, não estranhará seu contexto. As mesmas crises e problemas da sociedade de hoje podem ser identificadas, sem muito problema, em sua obra, porém não podemos exigir que jovens e adolescentes hoje se identifiquem, principalmente na linguagem, com o que foi produzido nos séculos passados. Não que isso não aconteça, muitos tem paixão pela literatura de alguns mestres (Eça de Queiroz, Fernando Pessoa, entre outros, no meu caso.), mas essa diferença na evolução da linguagem explica, por exemplo, o amor dos jovens pela literatura fantástica contemporânea.

   Dessa forma, podemos concluir que tudo o que é produzido por um escritor hoje será classificado futuramente no conjunto de obras que marcarão características desta determinada época e país, os famosos “gêneros literários”. Então, a fantasia é e será um grande marco na literatura sim, queiram os críticos ou não.

   Na minha humilde opinião, a arte para se tornar de fato arte é preciso tocar o coração e estimular o interesse do público a qual  se destina. Quando  li  “Iracema” de José de Alencar, a fim de produzir um trabalho para a faculdade, não compreendi a fama gerada em torno do livro. É um romance indianista, sem dúvida alguma, muito bem escrito que carrega grandes marcas históricas em sua narrativa, porém não me causou nenhum impacto, o que é  apenas uma questão de liberdade e identificação.

  Já quando li a trilogia “O Senhor dos Anéis” de John Ronald Reuel Tolkien, me identifiquei em gênero, número e grau. Produzi meu TCC (trabalho de conclusão de curso) baseado na obra e consegui identificar símbolos e arquétipos na literatura fantástica de Tolkien provenientes de um estudo rico dentro do fantástico mundo dos mitos e lendas, sem falar em tantos outros autores que ganharam o mundo com suas produções fantásticas.

   No Brasil, arrisco realçar dois grandes nomes avassaladores nos corações dos jovens. Carolina Munhoz, que dentre tantas histórias fantásticas que já lançou, está O Reino das Vozes Que Não se Calam em parceria com a atriz  Sophia Abrahão e FML Peppercuja trajetória pude acompanhar e sou fã. A autora começou com a auto publicação e devido aos inúmeros fãs que alcançou com a trilogia “Não Pare” firmou contrato com a Editora Valentina e tem seus livros  espalhados pelas livrarias de todo país.

   Não há como não se apaixonar pelas histórias dessas autoras, pois idependente de todo o imaginário contido em suas obras, existem arquétipos que são comuns entre tantos livros e, diferente do que os críticos ressaltam, nos remetem sim a  parte do nosso cotidiano, como também parte do nosso “eu” e sinceramente, já me emocionaram muito mais que muitos autores consagrados pela crítica.
#euamoliteraturafantástica #euamolitaraturabrasileira

  E você qual a sua opinião?


Espero que gostem,
Abraços,
Juliana Lima♥.
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10 comentários:

  1. Oi Juliana, tudo bem?
    Primeiramente parabéns pelo post, gostei bastante de tudo o que você escreveu e como abordou.
    Para mim, literatura não é só aqueles clássicos que temos que estudar na escola ou na faculdade. É tudo que transmita sua mensagem. Falar que Jogos Vorazes não é literatura, assim como falar que O Senhor dos Anéis não é literatura, é errado. Tudo tem seu valor (até livro de youtuber) porque o importante é trazer mais pessoas para esse mundo dos livros.
    Abraços!

    -Ricardo, Lapso de Leitura

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    1. Concordo Ricardo!
      Tudo o que é produzido na nossa época é a Literatura referente a ela. Se os críticos não gostam sinto muito rs, aí já é uma questão de gosto, identificação ou até preconceito, quem sabe, mas literatura não deixa de ser.
      Obrigada pelo comentário!
      Beijos,
      Juliana.

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  2. Oi, Ju!
    Que belo texto! Concordo totalmente com a sua opinião!
    Penso que essa questão de o que é ou deixa de ser literatura é algo muito complicado e, para mim, surgiu do preconceito de alguns que consideram apenas os clássicos como literatura.
    Admito que por vezes me vejo irritada com comentários e posicionamentos aqui na blogosfera de pessoas que se sentem os "melhores leitores" por lerem Dostoievski, Kafka, e afins...isso vem me incomodando cada vez mais e ler textos assim como o seu, realmente me faz bem, pois vejo que nem todos possuem tais pensamentos.
    Penso como vc, as obras dos grandes escritores são eternas, mas foram escritas em outra época, com uma linguagem que naquele tempo era usual, mas que hoje, muitas vezes, pode ser considerada rebuscada, e muitos jovens não apreciam "de cara" essas obras, o que pode acontecer depois ou não...essa é a grande questão, existem leitores que, por mais que reconheçam a importância desses escritores, não conseguem se afeiçoar as sua obras, simplesmente não conseguem mergulhar na história e sentir prazer com a leitura...e isso é errado? NÃO! É apenas o gosto pessoal de cada um! E isso não faz desse leitor pior do que um outro que lê apenas José de Alencar ou Graciliano Ramos.
    Para mim o importante é ler o que te faz bem, seja o que for, de que autor for. Ler deve ser um ato prazeroso, antes que qualquer coisa, ler deve fazer bem a que experimenta tal atividade, independente de qual gênero, seja fantasia, romance, ficção científica, históricos, eróticos, distopias, enfim...ler e AMAR LER é esse, para mim, o significado da leitura e da literatura.
    Desculpe pelo texto e pelo desabafo rsrs
    Mais uma vez adorei o seu posicionamento sobre o tema.
    Abraço!

    http://bloghistoriasliterarias.blogspot.com.br

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    1. Imagina!
      Sinta-se à vontade para deixar seu posicionamento por aqui.
      Concordo com você!
      Arte, de modo geral, é uma questão de gosto e identificação e não é porque uma maioria não se identifica que deixa de ser arte. A mesma coisa acontece com a Literatura, em específico, um autor, ainda mais nacional, contemporâneo cria arte tanto quanto Dostoievski, Edgar Allan Poe, Machado de Assis... a diferença está na identificação.
      Há quem se identifique e há quem não se identifique, só isso.

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  3. Olá, Fernanda!
    Sou estudante de letras numa das aulas da semana passada discutimos isso quando lemos um texto chamado "A literatura na era da multiplicidade" (não lembro o nome do autor, me perdoe rs.).
    Tendo como base a definição que você postou sobre literatura, acredito que não seja o fim da literatura e acho injusto apontar o que é ou não literatura. Se diz que é "O conjunto das produções literárias de um escritor, de um país ou de uma época" estamos vivendo a nossa literatura. A literatura contemporânea que traz o "novo", sem perder as referências do que tivemos no passado. Estamos vivendo na época em que o mundo digital está aí para facilitar tudo, até mesmo a leitura. A quantidade de histórias e publicações estão aí sendo passada adiante muito fácil, então essa é a nossa "cara" atualmente e os livros estão sim representando muito bem isso. As distopias, os romances que falam de situações abusivas e etc.

    Adorei a discussão.
    BJão.

    Diego, Blog Vida & Letras
    www.blogvidaeletras.blogspot.com

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    1. Olá Diego, Obrigada pelo comentário!
      Sim, tudo muda e constantemente. Concordo com você que a nossa Literatura atual vulgo "contemporânea" represente bem a nossa época. O que tem sido produzido de Distopias ultimamente prova a consciência dos autores com relação à sociedade. Fragmentados mesmo é um livro que li e fiquei de boca aberta com a quantidade de analogias, referências e arquétipos implícitos na obra.
      Temos que valorizar mais nossa Litertatura que é tão importante quanto qualquer outra.

      Abraços.


      Ps: Adoro o nome Fernanda rs, mas nasci Juliana mesmo kkkk

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  4. Oi Juliana!
    Que legal que teu TCC tenha sido sobre as obras de Tolkien :) vejo tanta gente fazendo TCC sobre literatura e fico com invejinha, porque minha área não tem nada a ver com isso haha
    Então, essa sua discussão me fez lembrar que já vi muita gente dizendo que Paulo Coelho não é literatura mas sei lá, pra mim tudo que é livro é literatura kkk tanto que no meu blog uma forma de arquivar as postagens é com os marcadores "literatura estrangeira" e "literatura nacional"

    Beijos,
    Kemmy|Duas Leitoras

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    1. Sim Kemmy!
      Não gosto do Paulo Coelho, particularmente, mas é uma questão de gosto mesmo rs. Literatura é sim e tudo aquilo que for produzido nesta nossa época será estudado e analisado algum dia :)

      Meu TCC foi sim do Tolkien e desfilo com ele rs, como muito orgulho :P

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  5. Uau Ju!! Que post maravilhoso esse, simplesmente amei e assino embaixo hehe.
    A minha opinião é que a literatura evolui de acordo com seu contexto histórico, hoje nós e muitos jovens se identificam muito mais com obras atuais e muitas vezes fantásticas, mas também há aqueles que se identificam com autores mais antigos... Eu não li Iracema, mas sim Til do José de Alencar e simplesmente detestei, já quando li Machado de Assis, amei e Tolkien mais ainda hehe. Por falar nisso, amei o fato do seu TCC ser sobre ele, deve ter sido sensacional *-*
    Um beijão <3

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    1. Não sou muito fã de José de Alencar rs...
      Mas é tudo um questão de identificação Nath. Concordo que os Clássicos são carregados de um contexto histório e não só isso, muito autores são mestres da escrita, mas não é por isso que os autores contemporâneos não podem ser também. Eles morreram e não levaram com eles a arte da escrita, muitos autores atuais escrevem textos de tirar o fôlego.
      Isso que os críticos não aceitam :)
      Beijos Natlinda S2

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