Confabulando: Mercado Editorial 1 - Criação

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 Criação

   Olá Pessoal!


   O tema do nosso Confabulando de hoje vai preencher boa parte deste nosso quadro. A partir de hoje, daremos início a uma série de posts com um tema muito presente na vida de todo escritor, editor, capista, diagramador, revisor e por qual razão não dizer também blogueiro. Sim! O Mercado Editorial movimenta boa parte da blogosfera e das redes sociais no Brasil e, cada vez mais, este movimento está se tornando nacional.
  O post de hoje começa pela criação e todo o processo que a envolve.
  Convidamos escritoras para comentar  sobre esse tema e eles aceitaram, gentilmente, participar deste artigo.

  Nosso muito obrigada a estas maravilhosas escritoras. Clique e confira mais sobre elas!
  
Amanda Ágatha Costa, autora de A Ecolhida publicada pela Editora Arwen 
Luisa Soresini, autora de A Filha do Norte, cuja edição do segundo volume será publicada pela Editora Arwen.

Aproveitem a Black Friday e entrem em contato com as autoras :)


Vamos Lá!
 A ideia


   Tudo começa com uma ideia.
    Quantas vezes nós leitores já nos deparamos com aquela história que mexeu com o nosso psicológico causando as mais diversas reações como medo, paixão, raiva, amor incondicional, curiosidade, excitação, taquicardia e encanto?
    E quantas vezes nos perguntamos: Como será que o escritor teve essa ideia?
   Esta pergunta, aliás, é bastante pertinente nas entrevistas. Todos querem saber como se deu o processo criativo de determinada obra que causou tanto furor entre os leitores.
    Mas, será que esse processo é fácil? É só ter uma ideia no chuveiro ou em um sonho e colocar no papel?
    Não. O processo criativo requer muito mais do que ter "a super ideia inovadora". É preciso, como o próprio nome diz, um processo de etapas a serem seguidas para chegar até aquela obra maravilhosa que se tornou um best-seller.
   Embora o processo seja árduo, uma coisa é certa:
   Tudo começa com uma ideia.
   Então, vamos lá!
*Ps: Lembrando que cada escritor tem a sua técnica. Este é apenas um exemplo de como o processo criativo é complexo.

 Esboço


   O escritor já tem a ideia, mas, como dito no tópico anterior, isso não significa que ela prenderá a atenção do leitor a não ser que ela seja lapidada.

  Algumas perguntas são cruciais nesse momento para que o escritor delimite sua ideia e tenha um foco, tais como:



 Por quê eu quero falar sobre esse assunto? Eu leria um livro com esta temática? Que tipo de mensagem quero passar com esta obra? Qual o público que desejo atingir? Em que gênero se encaixa a minha obra? Por que motivo ele seria um diferencial perto das obras já escritas?

 Respondidas as perguntas (essas e outras, pois cada escritor tem um direcionamento diferente), é hora de formar uma boa base (esboço)  para desenvolver a ideia.

  Alguns "rituais" são sempre muito importantes até para que detalhes na construção do desenvolvimento não se percam ao longo da criação,  lembrando que cada escritor tem o seu e esses são apenas exemplos:

  ♥ Anotar todas as ideias (por mais estranhas que pareçam à princípio)
  ♥ Fazer um esboço da ideia principal e dos possíveis acontecimentos por tópicos
  Dar nome aos personagens principais até para ir se familiarizando com eles
  Encaixar a ideia em um gênero/ subgênero para facilitar a construção e a pesquisa.

   Pronto! Agora o escritor já tem um esboço, depois disso é a hora de desenvolvê-lo.


 Pesquisa


   A ideia do autor se passa nas ruinas da Capadócia. Ele nunca esteve lá, e agora?

   É nesta hora que entra uma das partes mais árduas de todo processo, a pesquisa.
   A pesquisa pode acontecer antes e durante a criação de uma obra, pois ela é muito importante para o desenvolvimento e o desenrolar da mesma e o autor deve estar preparado para, talvez, ler dez livros a fim de produzir um.
   Várias são as técnicas utilizadas pelos escritores para obter informações sobre o tema e estimular a criatividade, como:
  
   Sites de busca;
   Guias dos países e regiões;
   Livros com o mesmo seguimento ou históricos;
   Músicas temáticas para estimular a criatividade;
   Vídeos, filmes e imagens;
   Pesquisa aprofundada dos costumes, cultura, vestuário e língua daquela região e/ou época.
  
   Com a ideia pré-concebida, um esboço pronto e uma pesquisa inicial realizada é hora de desenvolver esse tema.


 Desenvolvimento




   Delimitada a ideia, é hora de colocar em prática seu esboço transformando-o em uma história com capítulos, cenários,  personagens, conflitos, detalhes, clímax e grande desfecho.

♥ Personagens
  Basicamente, toda história é feita de personagens principais (aqueles que aparecerão frequentemente no desenrolar da trama) e personagens secundários (aqueles que auxiliarão os personagens principais nas cenas). O grande erro na construção de personagens começa aqui. Qualquer personagem criado para a história tem que ser bem estruturado e até aquele que aparecerá apenas uma vez tem que causar seu impacto, deixar sua marca para que o leitor sinta, realmente, que aquela história tem vida.

♥ Cenários
  Os cenários são de extrema importância para a estimulação da imaginação do leitor e é aí que entra o poder da descrição. Na maioria das vezes subjetiva, a descrição de uma obra, principalmente ficcional, deve ser bem construída visando passar para o leitor não apenas as características físicas do ambiente onde o personagem se encontra, como também as sensações. Nós temos cinco sentidos para serem explorados sem limite e quantas vezes você ouviu ou leu alguém narrar o cheiro de terra molhada, o gosto da chuva ou a sensação de lar em um ambiente extremamente inóspito?
  Pois bem, são essas descrições até as mais inesperadas que fazem com que o leitor viva a cena.

♥ Conflitos
   Todo mundo gosta quando tudo dá certo no final, mas, embora seja uma história ficcional, se o autor quer passar verdade naquilo que ele construiu nada pode ser perfeito.
   Qual a graça de ler um livro sem ação, sem emoção, sem um ritmo oscilante de narrativa? O que faz com que a história ganhe vida são justamente aqueles impedimentos que acontecem quando tudo está se encaixando e a saga pela paz recomeça. Gerar conflitos estimula o autor a desafiar sua própria criação e sua capacidade de resolvê-los de forma verossímil e instiga o leitor a armar uma trama em sua mente para adivinhar a resolução dos mesmos. A graça de uma obra são os mistérios, os segredos, os suspenses, as descobertas, tudo aquilo que faz o leitor pensar e que o leva até o clímax.

♥ Clímax
  Toda história deve ter picos. Como uma montanha russa, uma história tem altos e baixos, momentos de puro êxtase e emoção e momentos de pausa e reflexão para balancear a história. Claro que uma história pode ser feita para que o leitor não respire e nem pisque até o fim, mas, mesmo assim, até essas histórias tem o pico mais alto da montanha. Aquele momento em que você sobe bem devagar, o mais alto possível, e fica, por alguns segundos, desnorteado sem saber ou prevendo o que vem depois até que tudo despenca, em queda livre, e seu corpo reage as mais diversas sensações: calafrio, medo, formigamento, surpresa, susto, um misto de felicidade e angústia e pronto!
Você chegou novamente na base e ainda não se recuperou da avalanche de emoções?
Parabéns! Você vivenciou o clímax.

♥ Detalhes
  Personagens introduzidos, cenários descritos, conflitos criados e o grande momento pronto para explodir é hora de verificar se todos os detalhes criados na trama se encaixam.
  Quantas vezes você leu um livro ou assistiu a um filme cujo pequeno e inocente detalhe inicial resolveu toda a trama?
  Exatamente! Eles parecem bobos, sem grande importância, mas além de enriquecer a obra o "mero" detalhe pode mudar o curso de uma história, como dificultar o entendimento da mesma. Se o autor narra no começo da história que seu personagem vivenciou muitas guerras e no meio da trama revela que a idade dele é 25 anos, por exemplo, no máximo ele vivenciou essas guerras em uma aula de história muito bem ministrada. A não ser que seja uma história fantástica, esse detalhe colocaria em dúvida a credibilidade da trama.

♥ Desfecho:
   Depois de tudo criado e bem estruturado é a hora de colocar um ponto final nessa trama. O autor descreve um final bonitinho para os personagens, todo mundo que se odiava passa a se amar e o mundo vira um arco-íris brilhante, certo?
   Nem sempre.
   Quem já leu Como eu era antes de você, por exemplo, pode tentar imaginar como foi difícil para Jojo Moyes arriscar jogar sua criação no ralo dando aquele desfecho para a história.
   A criação de um desfecho deve ser profundamente analisada contendo todos os fios soltos durante a trama emendados e, se possível, o autor deve criar mais que um final para a mesma história e analisa-los de fora, de forma fria e crítica, tentando levar em consideração o que é melhor e mais plausível para a história e não o que o agrada de forma pessoal. Pois, como na vida real, nem todas as pessoas se amam eternamente, nem todo mundo sobrevive, nem todas as doenças tem curas milagrosas, nem todos os finais são felizes.

"Os elementos que fazem de um livro uma grande obra são linguagem original (não necessariamente no vocabulário, mas na imposição das palavras); verdade no que se conta (mesmo que seja o que houver de mais irreal); escolha de um narrador que se adeque a narrativa; e acho que a ausência de necessidade de querer impressionar como pressuposto."
Francine S. C. Camargo


 A Revisão



   O autor criou sua história, deu vida aos personagens, armou bem a trama com detalhes e já suou litros  criando o desfecho apropriado. Agora é hora de publicar! Ehhh! Viva!
   Só que não.
   Embora exista uma série de excelentes profissionais e até empresas especializadas em ler e revisar uma obra, não é só uma questão de erros gramaticais, colocações verbais, entre outros, que são muito importantes diga-se de passagem, mas o essencial da revisão feita pelo próprio autor é a coerência do seu desenvolvimento da trama com o tema proposto e o desfecho da obra. A história tem que ter um nexo e todos os pontos dela devem estar em harmonia.

Algumas dicas que ajudam na revisão de um texto:

Não revise automaticamente ao terminar. Espere alguns dias ou semanas e quando a sua mente esquecer parcialmente da história, releia com um novo olhar.

Não descarte nada durante a criação. Quando você tiver que revisar, talvez aquela sua ideia original se encaixe melhor do que a alteração feita com o tempo.

Revise como se o texto não fosse seu. É claro o envolvimento que temos com a história, mas revisar um texto com dó de cortar ou acrescentar não ajudará muito na lapidação do mesmo.

Dê o texto para alguém ler. É lógico que sua mãe ou seu melhor amigo dirão que você é demais e um excelente escritor. Peça para alguém que realmente será crítico com você e de preferência que não te conheça. Os escritores hoje em dia tem contado com a ajuda de *beta reader para o aprimoramento dos seus livros.

*são aquelas pessoas de confiança do autor que leem a obra, em primeira mão, auxiliando o autor na construção com comentários críticos.


"A parte da criação é um pouco exaustiva, principalmente por causa da quantidade de pesquisas, mas a pior parte pra mim é a lapidação e revisão da obra. É o momento em que o autor precisa encaixar as pontas soltas e dar mais fluidez pra trama. Requer muita leitura e dedicação. Depois de ver o livro já escrito, é que vem essa fase mais crítica mesmo."
Amanda Ágatha Costa.


 A Entrega




  Feitas as alterações necessárias e com a obra devidamente registrada é hora de fazer uma nova pesquisa. O autor envia seus originais para as editoras que melhor se encaixarem no perfil de sua obra e cruza os dedos ou opta por uma prestadora de serviços que cobre um valor estipulado por um pacote de edição, revisão, diagramação, etc. e lança sua obra de forma independente.

O importante é que, até aqui, um sonho já foi parcialmente realizado e se o autor consegue a publicação de seus livros, o comentário da Luisa não me deixa mentir.

Quanto  ao fato de um livro se tornar um best-seller é conversa para um outro post.


"Sabe quando você quer encontrar uma pessoa querida que você ainda não conheceu pessoalmente? É a mesma sensação. É um prazer imenso, como você finalmente pode ter uma pessoa querida perto de você.
É assim que fiquei quando meus livros chegaram.
Me senti completa como se todo processo tivesse dado um fruto que se tornará eterno."
  Luisa Soresini.




Muito obrigada para todos aqueles que chegaram até aqui! E o próximo post será sobre Editoração.

Espero que tenham gostado e não percam a continuação.
Mil Beijos,
Juliana Lima.

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